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Title: Exportação de jumentos do Brasil para a China gera protestos
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“O jumento, nosso irmão”, como dizia o Padre Antônio Vieira, ícone da proteção aos jumentos do Ceará, pode ter um doloroso destino na C...

“O jumento, nosso irmão”, como dizia o Padre Antônio Vieira, ícone da proteção aos jumentos do Ceará, pode ter um doloroso destino na China – país interessado na compra de um milhão de asnos brasileiros para abate. A notícia, que vem chocando muitos defensores de animais desde meados de novembro, gerou várias petições para tentar impedir que o governo brasileiro aceite a proposta chinesa (veja como assinar no final da matéria).

A questão envolve vários fatores preocupantes, entre eles, o transporte de navio, longo e estressante durante o qual muitos animais entram em desespero e até morrem. E não é assunto novo. Desde 2012 os chineses estão negociando a venda de jumentos para serem usados como alimentação e na indústria de cosméticos. Em 2012, o tema revoltou, inclusive, ativistas estrangeiros, como Brigitte Bardot, que enviou carta à presidente Dilma Rousseff com os dizeres: “Eu, que amei tanto o Brasil, estou indignada de ver este país colaborar com a China para matar, a cada ano, 300 mil burros explorados pelo homem e que deveriam ser deixados em paz”.

Embora a tensão em torno do tema tenha diminuído de lá para cá com uma suposta negação à proposta chinesa, matéria do Estadão diz que jumentos já são exportados para aquele país há mais de cinco anos: “A China mata cerca de 1,5 milhão de jegues por ano, uma parte produzida no próprio país e outra na Índia. Apesar de toda essa demanda dos chineses, 2015 foi um ano fraco para a exportação do animal em comparação a outros anos. Enquanto neste ano as vendas ficaram em US$ 15,4 mil, em 2008 elas chegaram a somar US$ 309,3 mil, o equivalente a 22,4 toneladas. O recorde financeiro, no entanto, foi em 2010, quando o Brasil fez US$ 385,7 mil em vendas e desembarcou 14,9 toneladas de asnos no exterior".

Quatorze jumentos morreram dentro de uma carreta antes de desembarcarem num frigorífico de Araquari no dia 9 deste mês. Eles saíram do Piauí e ficaram mais de 48 horas sem alimentação ou água. O carregamento tinha 137 animais que enfrentaram um longo sofrimento, tratados como objetos sem qualquer necessidade de alimento, espaço e descanso. Ou seja, o jumento já está condenado ao martírio aqui mesmo, dentro do Brasil.

Mas há quem lute, e muito, em defesa desses animais. Foi o caso do Padre Antônio Batista Vieira, morto há 12 anos, fundador do Clube Mundial do Jumento e cujo trabalho inspirou a criação do Parque que leva seu nome e abriga 5 mil jumentos na Fazenda Santa Quitéria, no Ceará. No santuário estão os animais abandonados nas estradas e levados para a fazenda graças a um acordo com o Detran.

Eles recebem atendimento veterinário, alimentação e contam com um belo espaço para viverem. Mas a iniciativa depende de donativos para continuar seu trabalho e, inclusive, também está pedindo que as pessoas impeçam que os jumentos sejam exportados para a China. O Parque tem uma página no Facebook.

Substituição por motos e abandono

Mas os jumentos também passam por outros problemas no nordeste do Brasil. Muitos acabam abandonados e vão parar no entorno de estradas. Eles acabam recolhidos, mas os donos dificilmente aparecem para resgatá-los, como ocorre com cavalos ou bois perdidos. Um dos fatores que contribui para o abandono é a substituição dos jumentos por motocicletas como meio de transporte.

Vale lembrar que jumento, jegue e asno são exatamente o mesmo animal. Já o burro é fruto do cruzamento de uma égua com um jumento. Quando é macho é chamado de burro, mas se nascer fêmea é mula. O jumento é famoso por sua grande resistência já que durante muito tempo foi escravizado para transportar cargas pesadas em seu lombo e permanece assim até hoje.

Petição para apoiar o PL 5949 do Deputado Ricardo Izar – PSD/SP, que dispõe sobre a proibição de abate de equinos, equídeos, mulas e jumentos em todo o Brasil. Já tem 50 mil assinaturas, mas a meta é 75 mil.

Petição que também pede que não seja fechado acordo com a China que está com 17 mil assinaturas, mas pretende chegar a 25 mil.

Fontes: Ecycle Anda - Agência de Notícias de Direitos Animais

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