16 de janeiro de 2019

Livro "Lia de Itamaracá: 75 anos cirandando com resistência, sorrisos e simplicidade" é lançado

Edição comemorativa, lançada sexta-feira (11), no Recife Antigo, teve curadoria de Maria Luciana Nunes e narra a trajetória da cirandeira mais famosa do Brasil

Por Henrique Lima


Conhecida internacionalmente pela sua ciranda, Maria Madalena Correa do Nascimento, ou simplesmente Lia de Itamaracá, recebeu sexta-feira (11) das mãos de amigos artistas e da curadora do livro, Maria Luciana Nunes, criadora do Hub SinsPire, uma linda homenagem. O livro “Lia de Itamaracá: 75 anos cirandando com resistência, sorrisos e simplicidade” narra, com bastante poesia, a trajetória da Rainha Cirandeira, Patrimônio Vivo da Cultura Pernambucana que recebeu apoio da Fiat Chrysler Automobiles – FCA/ Jeep.

No livro, momentos importantes que marcam a trajetória de 75 anos da Diva da Música Negra Brasileira são revelados. Lia abre sua vida e conta suas lembranças como merendeira de uma escola pública estadual da Ilha de Itamaracá, seu casamento com o músico Toinho, seu encontro com o produtor musical Beto Hees e todas as dificuldades superadas para manter vivo um patrimônio sustentado sem apoio do poder público.


“Estou sentindo muita alegria. Nunca imaginei ter minha história contada em um livro. Infelizmente falta consciência do poder público para incentivar e valorizar os artistas locais da cultura popular. Os artistas que estão chegando agora não podem desistir jamais, é preciso insistir, pois para mim nada foi fácil. Lutei demais para chegar até aqui com muito trabalho e muita luta”, destacou a homenageada, Lia de Itamaracá. “Essa mulher dedicou sua vida à ciranda. Se você se juntar, se unir e dar as mãos, vira uma verdadeira ciranda, a exemplo desta comemoração aos 75 anos de Lia, uma ciranda de profissionais que da música e da arte, deram vida àquilo que ela tem feito: festejar”, comemorou o produtor e empresário, Beto Hees.

“O coletivo é capaz de realizar muitas coisas. Esse trabalho é resultado do encontro de diversas pessoas e da Jeep, que se disponibilizaram para homenagear um ícone da nossa cultura. Lia merece todas as homenagens”, ressaltou Luciana Nunes, curadora do livro e responsável por conectar uma equipe formada por jornalistas, publicitários, designer, produtores e fotógrafos, dedicados a dar vida ao livro de 80 páginas que resgata imagens inéditas e atuais de Lia.


Roberto Baraldi, gerente de Comunicação da FCA/ Jeep para América Latina ressaltou que desde o início das obras do Polo Automotivo Jeep, em Goiana, Região Metropolitana do Recife (RMR), em 2012, a empresa tem procurado, cada vez mais, conhecer as manifestações culturais e sociais da região. “Contribuir com essas manifestações é uma forma de nos inserirmos na comunidade que nos abrigou, portanto, é uma enorme satisfação apoiar um projeto lindo desse que resgata a trajetória de Lia de Itamaracá, uma grande referência cultural para Pernambuco”, concluiu Baraldi.

“Ver tantos artistas reunidos para o lançamento deste tão importante livro me deixa bastante feliz. Irei registrar no início de fevereiro, no Congresso Nacional, que trabalhos assim se estendam, pois, não podemos deixar os artistas populares sem serem olhados como deveriam ser”, disse o deputado federal, Gonzaga Patriota (PSB-PE).


No carnaval deste ano, Lia será homenageada pelo Galo da Madrugada e o Homem da Meia-noite. Luiz Adolpho, presidente do bloco, fala da importância de homenagear Lia, ícone da cultura popular. “Lia representa uma grande voz pernambucana e brasileira, este é um momento bastante especial. Durante o desfile do Homem da Meia-Noite, quando a cortina baixar e mostrar a roupa do calunga gigante, ao som de uma ciranda de Lia de Itamaracá, sem dúvida será algo único e especial”, concluiu.

“Para mim é uma grande alegria participar deste lançamento, estou tão emocionado que até parece que a homenagem foi feita para mim. Lia, como eu, somos Patrimônios Vivos da Cultura Pernambucana. Ela é merecedora de toda essa alegria em sua volta”, disse Mestre Galo Preto.


A noite contou com a presença de vários artistas da terra, que foram homenagear e mostrar seu carinho a Lia. Cristina Amaral esteve presente no lançamento do livro e destacou Lia como uma “lenda viva da cultura pernambucana”. “Fico muito lisonjeada de participar da história de Lia pois, há cinco anos, juntas fizemos o Galo da Madrugada e neste dia, lembro muito bem que, a imprensa local, dizia que foi a maior ciranda em linha reta do mundo. Todo mundo é apaixonado por Lia”, falou emocionada.

“Lia é uma grande estrela brasileira e o Brasil inteiro deveria homenagear essa mulher, a verdadeira arte em pessoa”, ressaltou a cantora Nádia Maia.

“Lia é um símbolo de resistência que a gente precisa nesses novos tempos e também nos unir. Nada mais simbólico do que a própria ciranda para a gente juntar as mãos e todos se ajudarem. É importantíssimo cada vez mais estar perto da nossa rainha ao qual eu sou súdito”, falou emocionado o amigo Roger de Renor do Som da Rural.

“Sou muito grato a Deus por ter-me permitido viver com grandes mestres. Meu pai [Claudionor Germano] completa este ano 73 anos de carreira, 86 anos de idade, e eu tive o privilégio de conviver com Capiba, Luiz Bandeira e sinto-me honrado de estar participando desta homenagem em vida para Lia. Claudionor e Lia e devem ser sempre reverenciados”, destacou o cantor Nonô Germano.

Os fotógrafos Alfeu Tavares, Ana Araujo, André Coelho, Gaby Cerqueira, Hannah Carvalho, Henrique Lima, José de Holanda, Emiliano Dantas, Pedro Rampazzo, Roberto Cuíca, Rogério Reis e Ytallo Barreto assinam a obra que já está à venda e todo o dinheiro arrecadado será revertido para as ações sociais e culturais do Centro Cultural Estrela de Lia. Os textos utilizados para a elaboração da obra foram fonte de pesquisa do livro-reportagem “O mito, a mulher, a ciranda”, do jornalista pernambucano Marcelo Henrique Andrade.


Ao final, a curadora do livro, Maria Luciana Nunes, que se entregou a esse projeto de corpo e alma, que idealizou o projeto, correu atrás de patrocínio, juntou um grupo de trabalho que incorporou a mesma garra, a mesma vontade que ela teve, estava cansada, mas feliz. “Realizar esse trabalho, que é grandioso, sobretudo pelo fato de homenagear uma artista grandiosa e gloriosa, como Lia, foi como caminhar pelas mesmas estradas que ela caminhou, sentindo as mesmas emoções, tendo as mesmas surpresas”, confessou Luciana.

“O interessante é que depois de tanta luta, tanto trabalho, em vez de cansada eu estou me sentindo realizada, feliz, consciente de que minha entrega, que foi total, ficou pequena diante da grandeza dessa maravilhosa artista, dessa mulher fenomenal. Valeu a pena”, finalizou a curadora, ainda extasiada.

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