30 de janeiro de 2016

O nordeste se enche de alegria na chegada da chuva no sertão

Poesia de Geraldo Amâncio
Fotos: Almir Neves

Numa tarde de inverno o céu se agita
Uma nuvem pesada esconde o sol
Aparece relâmpago, caracol
A cascata do rio enche e vomita
Desce raio de fogo, o trovão grita
Na cabeça de um grande torreão
Passa o vento entoando uma canção
Que o porão do açude se arrepia
O nordeste se enche de alegria
Na chegada da chuva no sertão

Na esperança o campônio se agarra
Do fantasma da seca sente medo
Quando chega o natal, acorda cedo
Para ver se a aurora traz a barra
Inimiga da seca é a cigarra
Que só canta no tempo do verão
O profeta do inverno é o carão
Quando está pra chover ele anuncia
O nordeste se enche de alegria
Na chegada da chuva no sertão

Quando chove na entrada de janeiro
O riacho transborda e solta roncos
Lambe os galhos do mato, arrastra troncos
E raízes que encontra em todo aceiro
Passam sapos montados no balseiro
Parecendo um chofer de caminhão
Não dirige, mas dá a impressão
Onde tem um perigo ele desvia
O nordeste se enche de alegria
Na chegada da chuva no sertão

No inverno o vaqueiro tange os bois
O roceiro na luta mete a cara
Queima a broca, o que sobra faz coivara
Deixa arranca de touco pra depois
Corta a terra na baixa de arroz
Faz remonte de cerca aduba o chão
Abre cova, semeia e enterra o grão
Tudo quanto plantar a terra cria
O nordeste se enche de alegria
Na chegada da chuva no sertão


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