7 de abril de 2018

Dia Mundial de Combate ao Câncer: conheça oito mitos da doença

Especialistas do Grupo Oncoclínicas pontuam os principais erros de informação relacionados à incidência de tumores malignos.


São Paulo, 06 de Abril de 2018 – Para muitas pessoas, falar sobre câncer é sempre uma questão delicada. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a incidência da doença no Brasil em 2018 deve ficar em torno de 600 mil novos casos, sendo que a estimativa indica que três em cada 10 tumores diagnosticados estão relacionados a hábitos evitáveis como tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo, obesidade e exposição excessiva ao sol. Por isso, a melhor forma de reduzir os índices do câncer no país é garantir o acesso a informações qualificadas à população em geral. Ainda existem, contudo, muitas dúvidas relacionadas à doença que em boa parte têm suas respostas baseadas em dados que não possuem comprovação científica e nem tampouco refletem a realidade.

Para esclarecer alguns mitos sobre o tema, especialistas do Grupo Oncoclínicas dão suas opiniões sobre assuntos recorrentes nos consultórios e mídias sociais.

1- Mito: Todo câncer é igual

Na realidade, existem centenas de tipos de cânceres. E cada tipo de tumor evolui de forma diferente, assim como os métodos de tratamento podem variar de acordo com cada caso e as respostas às terapêuticas da mesma forma dependerão do comportamento do organismo do paciente. "Cada câncer tem uma única assinatura molecular com manifestações clínicas e prognóstico variáveis. Por isso, é inviável generalizar, pois cada paciente tem um caso específico", conta a Dra. Ana Paula Giuliani, oncologista da Oncoclínica Porto Alegre – unidade do Grupo Oncoclínicas no Rio Grande do Sul.

A especialista alerta ainda para o diagnóstico precoce como fator essencial para o sucesso no tratamento de todos casos de câncer, independente do tipo. "Não podemos indicar de forma genérica um ou outro medicamento que poderá ser eficaz para toda a gama de tumores malignos que existem, mas há um conselho que vale para a população em geral: busque sempre aconselhamento médico especializado caso note qualquer alteração à sua saúde. Quanto mais cedo identificado o problema, maiores as chances de cura", ressalta.

2- Mito: O câncer é hereditário. Você terá câncer apenas se existir em sua família

Grande parte da população acredita que casos de câncer na família aumentam as chances dos indivíduos desenvolverem a doença. E que quanto mais próximo o grau de parentesco, maiores os riscos de cedo ou tarde ser surpreendido com um tumor maligno. Porém, tais medos são infundados. Estudos internacionais apontam que apenas entre 5% a 10% dos casos de câncer são decorrentes da combinação genética familiar.

"É errado dizer que o câncer é uma doença hereditária, mas não é errado dizer que é uma doença genética. Nos acostumamos a relacionar a genética como algo hereditário e é aí que está o problema. Quando falamos em genética é porque existem alterações no DNA da célula tumoral. E essas alterações podem ser herdadas ou não dos pais. Mas é fato que se há um grande número de pessoas na família com o mesmo tipo de tumor e acometidos em idade mais jovem (abaixo dos 50 anos), pode ser um sinal de atenção e um oncogeneticista deveria ser procurado", contextualiza o Dr. Raphael Parmigiani, biomédico especialista em genética e sócio-fundador do IdenGene - Grupo Oncoclínicas, laboratório de análises especializado em testes genéticos para ajudar no tratamento e prevenção do câncer.

3- Mito: Os pacientes com pele mais escura não podem ter câncer de pele e não precisam usar protetor solar

O câncer da pele responde por 33% de todos os diagnósticos desta doença no Brasil – são cerca de 180 mil novos casos a cada ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) registra, a cada ano, cerca de 180 mil novos casos. Em 90% dos casos, o fator de risco é a exposição excessiva e sem proteção ao sol. "Pessoas de pele clara, cabelos claros e sardas são mais propensas a desenvolver o câncer de pele, mas isso não significa que quem não se encaixa nesse padrão de características físicas está livre dos riscos de desenvolver esse tipo de tumor. Quanto mais tempo de exposição da pele ao sol, mais envelhecida ela fica, aumentando também a possibilidade de surgimento do câncer de pele não melanoma", destaca o Dr. Frederico Arthur Pereira Nunes, oncologista da Oncoclínica Centro de Tratamento Oncológico - Grupo Oncoclínicas.

4 - Mito: A quimioterapia é a mesma para todos os cânceres

Existe uma ampla variedade de medicamentos quimioterápicos e de combinação entre elas, com perfil de tolerância e toxicidade variável. Isso significa que nem toda quimioterapia é igual, sendo a definição sobre a droga feita de acordo com suas indicações para cada tipo de tumor e necessidades específicas de tratamento para o caso específico do paciente.

Quimioterapia é um nome genérico dado ao conjunto dos medicamentos que agem contra o câncer. Dentro dessa classificação existem diversos tipos de drogas que atuam de maneira diferente. Por isso, a escolha do tratamento depende do tipo da doença, suas mutações, pontos fracos, tamanho do tumor e o estado geral do paciente. Além disso, é preciso ressaltar que durante todo o processo contra o câncer podemos utilizar diversas opções terapêuticas como: cirurgia, radioterapia, medicamentos orais e intravenosos que são conhecido como quimioterapia, a ciência tem avançado na descoberta de novas frentes, como a imunoterapia, por exemplo", destaca o Dr. Felipe Ades, oncologista do Centro Paulista de Oncologia (CPO) – Grupo Oncoclínicas.

5 - Mito: Não há nada que você possa fazer para reduzir o risco de desenvolver câncer

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 80% dos casos de surgimento de tumores malignos estão relacionados ao nosso modo de vida, sendo o sedentarismo um dos principais protagonistas destas estatísticas. De acordo com a Dra. Ana Carolina Guimarães, oncologista do Oncocentro - unidade do Grupo Oncoclínicas em Minas Gerais, outro dado que reforça essa percepção vem de uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), que aponta que a prática frequente de atividade física pode reduzir o risco de desenvolvimento de 26 tipos de câncer, entre eles o de mama, neoplasia que mais atinge a população feminina no Brasil.

"Para manter seu risco baixo, o certo é manter um peso saudável, fazer exercícios regularmente e limitar a quantidade de álcool ingerida. Vale lembrar ainda que o incentivo à prática constante de atividades físicas e ingestão de alimentos saudáveis surgem não apenas como iniciativas essenciais para frear os índices aumentados de risco de desenvolver a tumores malignos como também forma de potencializar o processo de tratamento", diz.

6 - Mito: Quimioterapia significa que você vai perder o cabelo

Assim como existem variados tipos de câncer, também os efeitos dos diferentes tipo de medicamentos quimioterápicos podem variar de acordo com sua composição e resposta do paciente. Entre os efeitos colaterais de algumas quimioterapias, pode acontecer a queda dos fios de cabelo, que pode ainda variar de intensidade de acordo com cada caso.

"As células do câncer se multiplicam e crescem mais rápido que as células normais do corpo. Sabendo disso, os remédios foram desenvolvidos para atacar as células que se multiplicam mais rápido, assim reduzindo os tumores e aumentando a chance de cura em casos em que há indicação cirúrgica. O problema disso é que existem células normais do corpo que também se multiplicam rapidamente, como as células responsáveis por fazer crescer o cabelo. Por isso, dependendo do remédio que se use, pode ocorrer a queda do cabelo depois de alguns dias do tratamento. Normalmente os cabelos voltam a crescer algumas semanas depois do tratamento terminar", comenta a Dra. Clarissa Mathias, oncologista do Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB) – Grupo Oncoclínicas.

Como alternativa para prevenção à perda dos fios durante o tratamento quimioterápico, há a opção de utilização de aparelhos que causam o resfriamento do couro cabeludo durante a administração da quimioterapia. "O frio faz com que os vasos sanguíneos se contraiam, assim menos sangue passa por partes do corpo que estão geladas. A ideia por trás dessa estratégia é fazer com que menos quimioterapia circule pela pele do couro cabeludo, reduzindo assim o efeito de queda de cabelo", explica.

7- Mito: Homens não desenvolvem câncer de mama

Assim como as mulheres, homens também apresentam glândulas mamárias e, portanto, apesar da baixa incidência, o câncer de mama pode se manifestar em homens. Apesar da baixa incidência - em cerca de 100 casos da doença, apenas um ocorre no sexo masculino – estima-se que os Estados Unidos registram cerca de 1900 casos ao ano e, na maioria das vezes, o diagnóstico é tardio.

"O diagnóstico precoce ainda é uma das principais ferramentas de sucesso para o tratamento do câncer, por isso a informação é essencial neste processo. Para detectar qualquer tipo de problema, é preciso que o homem realize o autoexame com frequência, principalmente depois dos 50 anos, faixa etária em que ocorrem mais casos do câncer de mama masculino . E claro, caso haja qualquer mudança suspeita na região mamária, é preciso deixar de lado qualquer tipo de preconceito e procurar a ajuda de um especialista", explica o Dr. Daniel Gimenes, oncologista do CPO - Grupo Oncoclínicas, em São Paulo.

8 - Mito: Fé é para pessoas fracas e apenas uma fuga para os pacientes com câncer

Na verdade, os pacientes com câncer que possuem fortes crenças religiosas têm melhores resultados, segundo um estudo publicado em 2017 no Cancer, um dos mais importantes jornais médicos do mundo. Uma outra análise, liderada pela Universidade de Duke, nos Estados Unidos, comprovou que pacientes que se valem de práticas religiosas apresentam 40% menos chances de sofrerem depressão durante o tratamento não apenas do câncer, mas das doenças em geral.

"Não há provas científicas de que a fé representa um reforço para o sistema imunológico, mas inúmeros estudos sugerem uma ligação entre religião e espiritualidade com a melhor saúde física relatada entre os pacientes com câncer. Elas funcionam como um incentivo extra para a autoestima dos pacientes e ajudam a proporcionar conforto diante do medo", finaliza a Dra. Clarissa Mathias, do NOB – Grupo Oncoclínicas.

Informações da assessoria
Foto reprodução/Internet

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