25 de agosto de 2018

Casos de leishmaniose em Pernambuco aumentam 72% em dois anos

O mosquito-palha é o transmissor do protozoário da leishmaniose em áreas urbanas (Foto: James Gathany/CDC).
O número de casos de leishmaniose confirmados em Pernambuco aumentou de 58 no primeiro semestre de 2016 para 100 no mesmo período deste ano. Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e apontam um crescimento de 72% no número de casos em apenas dois anos.

No município de Toritama, no Agreste do estado, um homem de 59 anos morreu com suspeita de leishimaniose viceral. A causa da morte ainda não foi confirmada.

De acordo com o coordenador de zoonoses da SES, Francisco Duarte, o aumento dos casos é, na verdade, um reflexo do combate à subnotificação da doença, através do teste rápido para leishmaniose disponível nas unidades estaduais de saúde.

“Estamos detectando mais casos da doença e mais precocemente porque implementamos na rede de saúde o teste rápido da doença no ano passado. Antes o exame era mais demorado e mais complexo, o que fazia com que nem sempre fosse identificado”, afirma.

Para Duarte, o número de cães de rua também é um fator que aumenta o risco da proliferação da doença nos centros urbanos. "Diferente de antigamente, quando os casos aconteciam mais no interior, hoje a doença está muito urbanizada. Houve uma adaptação. Então, com mais cães nas ruas, o risco aumenta muito", explica o coordenador.

Número de cães de rua infectados com a leishmaniose pode aumentar casos da doença (Foto: Marlan Kling/G1)

Duarte explica que o combate e prevenção à doença é feito pelas secretariais municipais, que identificam os cães contaminados através de dois tipos de exames. "Ainda não existe vacinas de leishmaniose para os cães no Brasil, mas há algumas em teste. Então é feito apenas o controle", diz.

Já o combate ao mosquito flebótomo ainda é um empecilho na erradicação da leishmaniose, pois os criadouros do mosquito não são facilmente identificáveis, segundo o coordenador de zoonoses da SES. "Não encontramos larva ou ovos desse tipo de mosquito, não se sabe onde ele reproduz, diferente de outros como o Aedes aegypti. É uma grande interrogação", afirma Fernando Duarte.

Caruaru, Goiana, Santa Cruz do Capibaribe, Tamandaré, Ouricuri, Petrolina e Carnaubeira da Penha são alguns municípios do estado considerados prioritários no combate da doença pela Secretaria Estadual de Saúde. "Essa prioridade nós avaliamos pelo alto número de casos registrados no passado e pela prevalência canina nesses municípios", explica.

A doença
A leishmaniose é uma doença infecciosa não contagiosa causada por um protozoário. Ela é transmitida pelo mosquito flebótomo infectado, conhecido popularmente como "mosquito-palha".

O ciclo da doença tem início quando uma fêmea que está infectada pica um animal, sendo o mais comum deles o cachorro. O cão, no entanto, não transmite a doença para outros cães ou para humanos, mas funciona como reservatório da doença. Assim, quando um mosquito macho pica um cão infectado e, em seguida, pica um humano, ele transmite a doença.

Sintomas e tratamento
Nos humanos, a leishmaniose se apresenta de três maneiras: a cutânea, a muco-cutâncea e a viceral, sendo a última a mais letal.

Na forma cutânea, a mais comum das três, os sintomas são úlceras que aparecem na pele, geralmente em regiões expostas, como braço, rosto e pernas. Já a muco-cutânea, além da pele, atinge também a mucosa do nariz, boca e garganta.

Também conhecida como "calazar", o tipo visceral da doença tem como sintomas, febre alta constante, dores de cabeça, anemia, perda de peso e aumento do estômago (causado pelo aumento do baço e do fígado).

O diagnóstico da leishmaniose é feito através de exames clínicos e o tratamento da doença, através de medicamentos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a leishmaniose viceral é fatal em 95% dos casos que não são tratados.

Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde informa que casos de leishmaniose podem ser tratados em qualquer unidade de saúde. Já para casos graves, a principal referência é o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc).

Leishmaniose canina
Nos cães, a doença se manifesta através de sintomas como o emagrecimento, fraqueza, anemia, crescimento exagerado das unhas e lesões na pele ao redor do nariz, dos olhos e nas orelhas.

Para os casos confirmados de leishmaniose canina em animais de rua, o protocolo das secretarias de saúde indica que o cão seja eutanasiado. No entanto, para os cães que possuem dono, existe um tratamento possível de ser realizado, à base de medicamentos.

"O tratamento infelizmente é caro, longo e poucas pessoas podem custear. Por isso, na maioria das vezes o animal infectado é sacrificado", explica Francisco Duarte.

Do G1

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