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Homenagem à professora Gercina Freitas


Uma menina, ainda pequena, se aproximou de sua mãe e disse: “Mamãe, eu quero ser professora!” A mãe, naquele momento, pode não ter percebido a determinação daquela menina, mas não pôde ignorar como ela era focada, dedicada e guerreira.

Tinha na veia o sangue “Bastos” dos seus pais biológicos (Sebastião Bastos e Biana Conceição) e foi adotada por Miguel Flor e Beatriz Flor, carregando dentro do coração o majestoso dom de transmitir conhecimento. O lar do sobrenome “Flor” acolheu a menina que trazia na alma a “Educação”, como uma flor que carrega um perfume e espalha seu aroma por onde passa.

Aquela menina, desde cedo, nas salas de aula, foi observada por suas primeiras professoras: Emídia Batista, Dulcina Alves, Margarida Aragão e Donatila Bezerra, sendo que elas certamente puderam vislumbrar na aluna dedicada uma linda trajetória nas salas de aula, quando se tornasse professora!

Quando tinha vinte anos de idade, fundou o Instituto Branca de Neve, o qual, tempos depois, passou a se chamar Escola Manoel Miguel Flor, uma homenagem ao seu pai adotivo. Estava, finalmente, a jovem Gercina Freitas no seu ambiente preferido: a ESCOLA; exercendo a profissão que sempre sonhou: PROFESSORA; e transmitindo o que sempre amou: CULTURA!

Dedicou-se à Educação completamente e várias gerações de alunos santa-cruzenses passaram por sua escolinha ou foram seus alunos nas escolas da cidade. Rigorosa quando era necessário, fez muitos “moleques levados” se emendarem e os pais deles agradeciam, e até hoje agradecem, pelas correções necessárias.

A professora Gercina era respeitada, não somente por sua posição de educadora, mas por sua personalidade forte e ao mesmo tempo carinhosa, porém, sobretudo, pelo seu caráter, por sua alma generosa.

Ficava tão feliz quando encontrava um dos seus alunos do passado, muitos empresários, outros advogados, médicos, professores... Ela olhava com gratidão, como se tudo tivesse valido à pena, sua dedicação, suas noites mal dormidas, sua fé... Seu sonho!

Em 1978, concluiu História na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru (FAFICA), e se notabilizou pelo seu amor à cultura, desenvolvendo nas escolas projetos culturais, dinamizando as aulas, acreditando nas crianças, como sempre fez!

Aquela menina, que ainda tão pequena sonhou em ser professora, escreveu uma das mais lindas histórias que eu posso contar! Ela semeou sementes imortais! Desde jovem, compreendeu a grandeza e a transformação que a Educação pode trazer para a humanidade! Aquela menina, que virou professora, acreditava em cada aluno, em cada ser humano que ela pôde transmitir o que de mais nobre poderia nos passar: a CULTURA!

Gercina Freitas não morreu, pois passou sua vida inteira transmitindo o que nunca morre! Ela está viva, e agora mais do que nunca, pois seu legado é tão valioso que não tem preço, não há dinheiro no mundo que pague! Cada ser humano que foi seu aluno não consegue calcular o que ela lhe transmitiu e não consegue esquecer, nunca!

A menina que lá na década de 1950 decidiu ser professora, quando assim decidiu, não estava apenas construindo sua linda carreira na Educação, ela estava avisando, sem querer, sua mãe também não sabia disso, mas aquela menina sonhadora estava avisando e noticiando sua IMORTALIDADE!

Foram tantas as escolas, foram tantos os alunos, foram tantas a lições, foram tantos, tantos os ensinamentos, foi tão forte aquele sonho, que ela virou, em nossa cidade, a PROFESSORA!

Não há como apagar sua imagem ensinando as primeiras vogais, as primeiras letras, a tabuada, as sílabas, as primeiras operações matemáticas. Não há quem apague! Nem a borracha do tempo, que apaga tanta coisa, é capaz de apagar!

Professora Gercina! Gercina Professora! A professora da Escolinha Branca de Neve! A professora da Escola 31 de Março, do Francelino Aragão, do Padre Zuzinha, do Santo Antônio, do Chapeuzinho... e de tantas... tantas...

Sua imagem, Professora, vai aparecer na nossa história, viva, sempre vibrante e inesquecível. Ao lado da sua imagem, cheia de imortalidade, vai aparecer, em letras maiúsculas, seu sonho, sua determinação, sua vida, expressa em dez letras: PROFESSORA!

Santa Cruz do Capibaribe, 13 de abril de 2021

Texto escrito por Clécio Dias.

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